O fundador da Monocle, Tyler Brûlé, esteve em Lisboa para o lançamento de Soleil Zeste, perfume criado com a Claus Porto. Uma ocasião que reforça a sua ligação pessoal e afetiva a Portugal.
Tive, por estes dias, a oportunidade de conhecer um dos meus ídolos jornalísticos, Tyler Brûlé. Desde os tempos em que escrevia crónicas no Financial Times que sigo a forma como observa o mundo: atenta ao detalhe, interessada nas cidades e nos pequenos gestos que definem estilos de vida. Mais tarde, com a fundação da Monocle, essa visão tornou-se um projeto editorial que não só influenciou gerações de leitores como também ajudou a colocar Portugal no mapa do turismo mundial.
Brûlé esteve em Lisboa para apresentar Soleil Zeste, o novo perfume fruto da colaboração entre a Claus Porto e a Monocle. Um encontro improvável e ao mesmo tempo natural: de um lado, a casa centenária portuguesa, guardiã de um savoir-faire transmitido há mais de 130 anos; do outro, uma revista que soube transformar-se em comunidade, loja, rádio e espaço de influência cultural.
“Esta fragrância tem tudo a ver com otimismo e lucidez – é o aroma de um novo começo”, disse Tyler Brûlé no lançamento. “É elegante, descontraída e distintamente universal – uma colónia que vamos querer usar todos os dias.”
A escolha de Lisboa como palco para a apresentação não é casual. Brûlé tem vindo a construir uma relação íntima com o país: comprou casa na capital, escreveu várias crónicas sobre a vida e o quotidiano lisboetas e não esconde o fascínio que sente pelo modo de viver português. Num desses textos, publicado na própria Monocle, chegou a admitir que quis mobilar o apartamento com peças “100% feitas na Península Ibérica”, um gesto simbólico de enraizamento e valorização da produção local.
Em artigos anteriores, já havia confessado sentir que “devia conhecer Lisboa melhor”, como se a cidade guardasse uma festa à qual não poderia faltar. A curiosidade transformou-se em investimento pessoal e, hoje, Lisboa é para ele mais do que um destino: é uma extensão da sua vida.
Esse olhar ajuda a perceber por que razão Soleil Zeste nasceu aqui. A fragrância, criada pela perfumista Daphné Bugey, abre com notas de bergamota, lima e limão, acentuadas pelo verde do gálbano, o petitgrain e os toques aromáticos da lavanda e do cipreste. A base de almíscar branco prolonga a experiência com suavidade e leveza. O resultado é luminoso, radiante, como a própria Lisboa que Brûlé aprendeu a admirar.
Frédéric Blanchon, diretor da Claus Porto, resumiu a parceria como “um diálogo entre a herança da marca e a perspetiva global da Monocle”, acrescentando que o trabalho de Bugey atingiu “um ponto de encontro perfeito entre modernidade e intemporalidade”.
O que mais me impressiona é a coerência entre a narrativa pessoal de Brûlé e este lançamento. Ele não vê as cidades como cenários, mas como organismos vivos, feitos de luz, de sons, de aromas. Ao escolher Lisboa e uma marca portuguesa para lançar um perfume, transformou esse gesto num manifesto: Portugal é um lugar onde se pode construir luxo com autenticidade, onde tradição e contemporaneidade conversam naturalmente.
No final, fiquei com a sensação de que este não foi apenas um lançamento de uma fragrância. Foi também um capítulo numa história maior: a de um jornalista que moldou a forma como pensamos o lifestyle e que agora devolve a Lisboa parte desse reconhecimento global. Para mim, que o leio desde os tempos do Financial Times, conhecer Tyler Brûlé neste contexto teve um significado especial. Não só porque trouxe a memória de muitas leituras que me formaram, mas também porque mostrou que Lisboa continua a inspirar e a acolher os olhares mais atentos do mundo.
Soleil Zeste – Claus Porto x Monocle
Eau de Cologne (100 ml + 10 ml travel size): 125 euros
Eau de Cologne Travel Size (10 ml): 30 euros
Hand & Body Wash (300 ml): 30 euros
Disponível a partir de 30 de setembro de 2025, em exclusivo nas lojas Claus Porto e lojas Monocle.










