O Museu do Caramulo estreia “Senna e Eu”, uma série documental que recusa leituras endeusadas. Em oito episódios, o piloto surge através de testemunhos diretos, bastidores e da ligação decisiva a Portugal.
Não é nostalgia. É memória organizada. Hoje, dia 22 de janeiro, o Museu do Caramulo estreia “Senna e Eu”, uma série documental que escolhe um caminho objetivo para revisitar Ayrton Senna. Em vez de uma narrativa construída à distância, a série apoia-se nas vozes de quem esteve dentro da história — pilotos, engenheiros, protagonistas do paddock — para traçar um retrato sem filtros que dispensa elogios acríticos.
São oito episódios pensados como capítulos independentes, mas coerentes entre si. Cada testemunho acrescenta informação, contexto e fricção a uma figura que raramente se deixa reduzir a slogans.
Testemunhos no terreno
Entre as vozes centrais estão Emerson Fittipaldi, John Watson, Manuel de Mello Breyner e Alan Mosca. O que contam são situações concretas: decisões tomadas sob pressão, relações profissionais tensas, respeito conquistado à força de resultados.
Um dos episódios aborda a preparação obsessiva de Senna antes das corridas — o estudo detalhado dos circuitos, a repetição mental das trajetórias, a dificuldade em aceitar compromissos técnicos. Não como traço romântico, mas como método de trabalho. Outro centra-se na forma como a sua competitividade moldava o ambiente à sua volta, criando admiração, mas também desconforto.
O Estoril como momento fundador
Portugal surge como ponto estruturante da série. Foi no Autódromo do Estoril, a 21 de abril de 1985, que Senna conquistou a sua primeira vitória na Fórmula 1. Uma corrida sob chuva intensa, que redefiniu hierarquias e marcou o início de um novo ciclo.
A série regressa a esse dia com detalhe: a leitura do piso molhado, a gestão do risco, a distância imposta aos adversários. O Estoril aparece como o local onde Senna deixou de ser promessa para se tornar referência. Para o público português, esse enquadramento tem um peso particular.
Ao longo dos episódios, surgem histórias menos conhecidas: conversas longe das câmaras, opções de carreira discutidas internamente, dúvidas raramente expostas em público. Há referências a rivalidades, alianças circunstanciais e à forma como Senna lidava com a pressão constante — dentro e fora do carro.
O interesse da série está precisamente aí: mostrar como o piloto operava no limite, não apenas em pista, mas no modo como se relacionava com equipas, adversários e consigo próprio.
Um projeto com ADN Caramulo
Produzida pelo Museu do Caramulo, com o apoio do Standvirtual e em parceria com o Jornal dos Clássicos, a série reforça o posicionamento do museu como produtor ativo de conteúdos culturais ligados ao universo automóvel.
Com mais de 70 anos de história e um espólio que cruza arte, automóveis e cultura motorizada, o Museu do Caramulo tem vindo a apostar numa abordagem que privilegia contexto, rigor e narrativa. “Senna e Eu” segue essa linha: um projeto que informa sem simplificar e recorda sem amplificar.
Os episódios serão disponibilizados semanalmente, à quinta-feira, nos canais de YouTube do Jornal dos Clássicos e do Standvirtual, seguindo depois para emissão na A Bola TV.






