Portugal produz bem, mas continua a deixar o valor escapar. O curso “Do Premium ao Luxury”, da Lisbon Digital School, propõe uma leitura estratégica sobre marca, decisão e criação de valor a longo prazo.
Portugal sabe fazer. A frase repete-se com orgulho e alguma resignação. Fazemos bem, produzimos com qualidade, entregamos a tempo. O problema começa quando a história termina aí. Quando o produto sai impecável, mas a marca que assina não é nossa. O valor simbólico, cultural e económico segue viagem com outro nome no rótulo.
Esta é uma das grandes fragilidades estruturais da economia portuguesa. Não por falta de talento ou de rigor, mas por ausência de sistemas de marca capazes de transformar competência em valor duradouro. Saber fazer é condição necessária. Mas não é suficiente.
É a partir desta constatação que nasce o curso “Do Premium ao Luxury — A Jornada de Criação de Valor para a Marca”, promovido pela Lisbon Digital School. Não como uma introdução ao universo do luxo enquanto imaginário aspiracional, mas como uma leitura estratégica sobre aquilo que o luxo faz melhor do que ninguém: construir marcas globais que retêm valor, margem e poder simbólico ao longo do tempo.
O luxo surge aqui despido de ornamentação. Como método, como um sistema de decisões que organiza tempo, coerência, raridade e significado. A pergunta não é como ser luxo, mas o que podemos aprender com a forma como o luxo constrói marcas que atravessam mercados, ciclos económicos e modas.
O luxo como sistema de criação de valor
As grandes marcas globais distinguem-se menos pelo que produzem e mais pela forma como pensam. O luxo ensina, antes de mais, a trabalhar o tempo como ativo estratégico. A recusar atalhos. A construir coerência antes de escala. A perceber que o valor simbólico antecede o crescimento e não o contrário.
Ensina também a importância da decisão. Marcas fortes escolhem territórios claros, públicos específicos e narrativas consistentes. Aceitam perder oportunidades no curto prazo para ganhar relevância no longo. A raridade não é um acidente feliz, é uma escolha consciente. O preço não é um número arbitrário, é uma consequência lógica de tudo o que vem antes.
Outro ponto central está na construção de identidade. O luxo cria universos próprios, reconhecíveis em qualquer mercado, independentemente do idioma. Trabalha cultura, herança, linguagem visual e storytelling como ativos estratégicos. Não comunica apenas o que faz, mas porque existe e o lugar que ocupa no imaginário coletivo.
É este conjunto de ferramentas — posicionamento, narrativa, foco, consistência e visão de longo prazo — que o curso propõe analisar e adaptar à realidade das marcas premium portuguesas. Marcas que já provaram saber fazer, mas que precisam agora de aprender a reter valor, justificar preço e competir globalmente sem depender apenas da excelência operacional.
Das ferramentas à ambição global
A formação é conduzida por João Santos, um perfil pouco dado a abstrações académicas e muito marcado pela prática. Atualmente COO do WYgroup, João Santos construiu o seu percurso na gestão de marcas nacionais e internacionais, em sectores tão distintos como bens de grande consumo, tecnologia, indústria e relojoaria, trabalhando tanto com marcas portuguesas como com grupos globais.
Ao longo desse percurso, lidou com realidades muito diferentes — marcas líderes, marcas em reposicionamento, mercados maduros e mercados em construção — sempre a partir de uma perspetiva estratégica.
Essa experiência transversal explica o tom do curso: direto, pouco indulgente e focado em decisões: competir por preço é um beco sem saída; competir por valor exige método, estrutura e coragem para decidir. Não há romantização do luxo nem promessas rápidas de transformação. Há, sim, uma leitura óbvia sobre aquilo que distingue marcas que executam bem de marcas que conseguem estruturar valor, justificar preço e sustentar relevância no tempo.
Aprender com o luxo, neste contexto, não é copiar modelos nem importar códigos de forma acrítica. É compreender como se constrói relevância duradoura. Como se cria uma marca capaz de atravessar fronteiras sem perder identidade. E como se passa de um país que executa bem para um país que assina, lidera e retém valor.
Organização: Lisbon Digital School
Formato: Formação intensiva presencial/online (consoante edição)
Duração: 8 horas
Conteúdos: Estratégia de marca, criação de valor simbólico, posicionamento, decisões de longo prazo
Formador: João Santos
Contactos: www.lisbondigitalschool.com










