Protegida por árvores centenárias e por um painel de azulejos do século XVIII, a piscina do Tivoli Avenida Liberdade abre-se agora à cidade, com nova carta, cocktails e música ao vivo ao fim da tarde.
Da calçada portuguesa à piscina vai um pequeno desvio de cenário. A entrada faz-se pela Avenida da Liberdade, atravessa a fachada rosa do antigo palacete oitocentista – hoje centro de congressos do Tivoli – e termina num jardim que parece ter ficado fora do mapa. O trânsito desaparece, a temperatura baixa alguns graus e a luz chega filtrada pelas árvores. Lisboa continua ali, embora durante uns minutos pareça suficientemente longe.
O Pool Bar do Tivoli Avenida Liberdade não nasceu agora. A novidade está no acesso. Até esta temporada, a piscina e o jardim que a envolve pertenciam à geografia reservada dos hóspedes; pela primeira vez, o hotel abre ambos ao público e permite que este lado menos conhecido da Avenida passe a fazer parte da vida da cidade.
A mudança é relevante num hotel que acompanha Lisboa desde 1933 e que sempre cultivou uma relação próxima com o exterior. A Cervejaria Liberdade, o Lobby Bar ou o SEEN foram, em diferentes momentos, pontos de encontro entre hóspedes e lisboetas. Faltava retirar a piscina da categoria dos privilégios escondidos atrás de uma chave de quarto. O segredo não desapareceu. Só deixou de ser inacessível.
Um jardim que o trânsito não alcança
A piscina encontra-se instalada num jardim semitropical, protegido pela própria configuração do edifício e por uma vegetação que cresceu muito antes de os rooftops se transformarem na resposta automática de Lisboa para os dias quentes. Aqui, o olhar não se dirige para o horizonte ou para o Tejo. Fica preso ao verde, à água e às copas das árvores.
A botânica integra a identidade do espaço. Um bordo-negundo recebe quem chega, uma magnólia-de-folhas-grandes cresce junto ao bar e uma estrelícia gigante acrescenta escala tropical ao jardim. Perto da zona do Pombal ergue-se um jacarandá, enquanto uma árvore-da-borracha australiana centenária ajuda a resguardar a piscina e a criar a sombra natural que, em agosto, vale tanto como uma boa carta de bebidas.
Entre a vegetação surge ainda um painel barroco de azulejos, original do século XVIII. O azul e branco enquadra uma das margens da piscina e introduz uma inesperada dimensão histórica num cenário dominado pela água e pelas espreguiçadeiras. A composição resulta precisamente dessa convivência: espécies tropicais, calçada portuguesa, arquitetura oitocentista e azulejaria antiga.
A abertura ao exterior funciona em dois níveis. O Pool Bar pode ser frequentado para almoçar, petiscar ou beber um cocktail, mesmo por quem não está alojado no hotel. Para utilizar a piscina, existe um passe diário de 90 euros por adulto e de 45 euros para crianças até aos 12 anos. É uma forma de passar o dia entre mergulhos e refeições, sem converter uma pausa de verão numa operação logística fora da cidade.
Uma carta capaz de atravessar o dia
O chef Miguel Silva desenhou uma carta ampla, disponível entre as 10h00 e as 19h00, com propostas suficientemente leves para acompanhar uma tarde junto à piscina, mas sem condenar todos os apetites a uma sucessão de folhas verdes e sumos funcionais.
A sopa fria de abacate e coco dá o tom mais estival. Seguem-se o ceviche de robalo com gengibre e lima, o tártaro de salmão com abacate e coentros e o camarão em tempura com molho sweet chilli. Para partilhar, a carta inclui ainda nachos com guacamole, croquetes de novilho e um rissol de camarão acompanhado por coentros e maionese de sriracha.
As saladas e poke bowls ocupam naturalmente uma parte importante do menu. A salada Tivoli combina salada ibérica, tomate seco, portobello assado, espargos verdes, abacate, ananás assado e vinagrete de frutos secos. A Niçoise troca a versão mais previsível por tataki de atum, feijão-verde e ovo de codorniz. O bowl de camarão crocante junta arroz de sushi, manga, edamame, furikake e maionese de sriracha; há também uma alternativa vegetariana, com tofu marinado.
Quem prefere um almoço menos obediente encontra a sanduíche Club, um clássico do Tivoli servido com frango, bacon, ovo, fiambre, queijo, alface e tomate. O prego de lombo chega em bolo do caco, com manteiga de alho e salsa, assim como o bun de camarão com maionese de yuzu. Entre os pratos principais, o bife à portuguesa, com presunto, alho, louro e batata frita, é a proposta mais substancial da carta.
A pastelaria fica a cargo de Mónica Azevedo. O Coco trompe-l’œil, um dos sucessos da casa, combina ananás macerado, hortelã, mousse e biscuit de coco. A mousse de chocolate com azeite e flor de sal é outra opção imbatível. São sobremesas pensadas para resistir ao calor e, sobretudo, à tentação de terminar a refeição apenas com boas intenções.
No bar, coordenado por Bruno Ribeiro, a bebida de assinatura chama-se Samba. Mistura cachaça Pindorama, mezcal, Angostura bitters, agave e arando. Os Pool Sours, a 21 euros, permitem escolher entre vodka ou rum, versão fizz ou frozen e sabores que vão da manga ao coco, passando por morango, maracujá, limão, pera, banana ou kiwi.
A carta mantém os clássicos – da piña colada ao Fitzgerald, do mojito ao daiquiri – e reserva espaço para quem prefere atravessar a tarde sem álcool. Os mocktails e smoothies incluem combinações de banana, morango e maçã; laranja, cenoura e beterraba; ou kiwi, manga e ananás.
O fim da tarde muda de ritmo
Às quintas e sextas-feiras, entre as 17h00 e as 19h00, o jardim ganha música ao vivo. As quintas são dedicadas ao Son Cubano, com Osvaldo Pegudo e José Debray. Às sextas, o programa passa pelo samba e pela bossa nova, com atuações anunciadas dos grupos Tais & Guida e Bemquerê.
A programação prolonga a atmosfera do Pool Bar sem tentar transformá-lo numa festa permanente. A música chega quando a luz começa a descer, os almoços se aproximam perigosamente da hora do jantar e um último mergulho ainda parece uma decisão sensata.
No dia 26 de setembro, o espaço recebe uma edição especial do Bossa Music, entre as 18h00 e as 23h00. O programa inclui live cooking de barbecue, cozinha brasileira, finger food, bar aberto de gin e cocktails e uma roda de samba e bossa nova. A entrada custa 65 euros por pessoa.
A abertura deste jardim acompanha uma tendência feliz da hotelaria lisboeta: a vontade de devolver à cidade espaços que, durante anos, funcionaram como territórios quase privados. O desafio será conservar a tranquilidade que lhes deu identidade. Neste caso, a vegetação, a escala resguardada e o percurso de acesso ajudam a proteger o ambiente mesmo depois de abertas as portas. Para uma cidade cada vez mais falada pelo que mostra, este endereço continua a valer pelo que consegue esconder. A diferença é que agora já não exige chave de quarto obrigatória.
Morada: Avenida da Liberdade, nº185, Lisboa
Horário: Todos os dias, das 10h00 às 19h00
Passe diário de piscina: 90 euros por adulto; 45 euros para crianças até aos 12 anos
Telefone: +351 213 198 621
Email: bar.avenidaliberdade@tivoli-hotels.com
















