Uma viagem Lisboa–Faro–Lisboa sob chuva intensa serviu de teste real ao Polestar 4 e de pretexto para a inauguração do novo Polestar Space Faro, num ano de consolidação para a marca em Portugal.
A chuva foi constante, a visibilidade reduzida e o dia particularmente longo. A viagem Lisboa–Faro–Lisboa, feita no mesmo dia, não foi pensada como um ensaio técnico, mas acabou por se transformar num teste muito concreto às capacidades do Polestar 4. Estrada molhada, horários apertados e fadiga real são condições mais reveladoras do que qualquer cenário controlado.
Desde os primeiros quilómetros em autoestrada, o comportamento do carro revelou-se sólido e previsível. A sensação de segurança instala-se rapidamente e mantém-se estável, mesmo sob chuva intensa, com uma leitura clara da estrada e sistemas de assistência sempre atentos. Não há aqui a sensação de estarmos a ser conduzidos pela tecnologia, mas sim acompanhados por ela.
O volante aquecido, detalhe que poderia parecer secundário, ganhou relevância ao longo do dia. Para quem, como nós, tem sempre as mãos geladas, faz diferença: é um conforto adicional que soma pontos no Inverno – sobretudo em viagens longas e em condições adversas como estas.
Quando o carro sabe que é hora de parar
Os alertas de fadiga surgiram com frequência – e com razão. Embora aborrecidos, cumprem o seu papel. Ninguém gosta de levar um puxão de orelhas vindo de um carro com opinião, mas quando o aviso é certeiro, acaba por funcionar como um aliado mais do que como uma reprimenda. Um sistema que acerta no diagnóstico transforma-se, inevitavelmente, num apoio real à condução.
Aqui, a tecnologia procura proteger. E fá-lo com coerência, sobretudo num dia longo, passado quase todo ao volante. A cafeína acabou por ser um segundo passageiro a bordo, mas muito graças ao “olho” atento do Polestar 4, capaz de identificar sinais de alerta de distração e cansaço que nós identificamos como apenas uma ligeira fadiga.
Motorização e desempenho: potência bem doseada
Em andamento, o Polestar 4 confirma uma abordagem equilibrada entre potência, progressividade e controlo. A entrega de binário é imediata, como se espera de um elétrico, mas nunca brusca. Mesmo quando o acelerador é solicitado com mais convicção, a resposta mantém-se linear e fácil de dosear – algo particularmente relevante em piso molhado.
Não é um modelo que procure impressionar pelo efeito dramático da aceleração instantânea, mas pela forma como transforma potência em fluidez. A motorização trabalha com discrição, sem ruído mecânico nem vibrações, e transmite sempre a sensação de ter reserva suficiente para ultrapassagens rápidas ou mudanças de ritmo em autoestrada.
Essa confiança é reforçada pela estabilidade direcional e pela forma como o chassis gere o peso do conjunto. O Polestar 4 convida a uma condução segura e sustentada.
Autonomia: quando os números não contam a história toda
A autonomia revelou-se um dos pontos mais sólidos do teste. Num percurso exigente, com chuva intensa, condução rápida e pouco foco na poupança energética, o Polestar 4 mostrou-se consistente e previsível na gestão da bateria.
O carregamento intermédio de cerca de 20 minutos serviu apenas para reforçar margem, não para resolver uma situação crítica. Ou, dito de outra forma: foi uma decisão estratégica, não uma imposição do carro. Apesar de um pé direito que uma brigada de trânsito dificilmente deixaria passar sem o considerar pesado, a autonomia manteve-se dentro de valores confortáveis.
Mais do que números absolutos, o que se destaca é a ausência de ansiedade. A leitura da autonomia é fiável, o sistema de gestão energética é claro e o carro não penaliza de forma dramática uma condução mais entusiasta. Num elétrico deste segmento, esse equilíbrio continua a ser determinante na utilização real.
Uma câmara no lugar do espelho
O elemento que mais estranheza provoca continua a ser a ausência de vidro traseiro. No seu lugar, uma câmara que substitui o espelho central e oferece uma imagem extremamente detalhada do que se passa atrás do carro. A nitidez impressiona, sobretudo em condições de chuva ou pouca luz.
A adaptação, no entanto, não é imediata. Nos primeiros quilómetros, o movimento da imagem pode causar algum desconforto visual. Com o tempo, o cérebro ajusta-se e a leitura torna-se natural. A clareza da imagem é irrepreensível, ainda que nem todos os hábitos dos condutores atrás de nós mereçam alta definição. A câmara não julga, mas também não poupa.
Para lá da experiência vivida ao volante, os testes dos especialistas do setor ajudam a enquadrar o Polestar 4 no seu segmento. O consenso aponta para um modelo muito competente em conforto e estabilidade, embora menos orientado para uma condução desportiva pura.
Algumas análises sublinham que, apesar da boa sensação de segurança e do comportamento previsível, a agilidade não é o seu traço dominante. O peso e a largura fazem-se sentir em ritmos mais elevados ou em estradas sinuosas, reforçando a vocação do Polestar 4 como um gran turismo elétrico, mais do que como um SUV de condução agressiva.
A suspensão é descrita como equilibrada, ainda que tendencialmente firme em pisos irregulares. Em autoestrada, esse acerto traduz-se numa boa estabilidade direcional e numa leitura consistente da estrada – algo particularmente valorizado em viagens longas e em condições adversas.
A solução da câmara traseira surge, também aqui, como um dos elementos mais divisivos do modelo: reconhecida pela qualidade de imagem e utilidade em condições difíceis, continua a exigir um período de adaptação para alguns condutores.
Faro a fechar o mapa
A chegada a Faro marcou a segunda parte do dia e o segundo propósito da viagem: a inauguração do Polestar Space Faro, o terceiro espaço da marca em Portugal. À semelhança dos restantes, assume-se como uma galeria tecnológica, onde o cliente pode explorar e configurar o automóvel de forma totalmente digital.
O espaço permite personalizar cada detalhe do carro, conhecer materiais, soluções técnicas e versões, mas distingue-se sobretudo pelo ambiente próximo e acessível. Apesar da forte componente tecnológica, há um cuidado evidente na relação humana.
A abertura resulta da parceria com a Pontautos, iniciada em outubro de 2025, e completa a cobertura nacional da Polestar, que já contava com espaços no Porto, em colaboração com a Triauto, e em Lisboa, com a Santogal.
2025: um ponto de viragem
A inauguração em Faro acontece num momento particularmente sólido para a marca. 2025 foi o melhor ano de sempre da Polestar em Portugal, com mais de 500 matrículas e um crescimento superior a 65% face a 2024. É o terceiro ano consecutivo de crescimento e o primeiro com uma rede nacional plenamente estruturada.
O Polestar 4 destacou-se como o modelo mais vendido da gama, tanto junto de clientes particulares como empresariais, confirmando a maturidade da proposta. A consolidação do Polestar 2, a boa aceitação do Polestar 3 e a chegada do Polestar 5 reforçaram a perceção de consistência da marca.
Num contexto europeu em que alguns fabricantes abrandam a ambição elétrica, a Polestar mantém a sua posição: crescimento sustentado, investimento contínuo e compromisso firme com a mobilidade elétrica.
No final do dia, o regresso a Lisboa fez-se nas mesmas condições em que tudo começou. O Polestar 4 limitou-se a cumprir o seu papel – e isso, num teste real, é talvez o melhor elogio possível.
Tipo
SUV coupé elétrico
Potência
até 544 cv
Autonomia (WLTP)
até cerca de 620 km
Carregamento rápido
DC até 200 kW
10–80% em cerca de 25 minutos
Destaques
Câmara traseira em substituição do vidro • alertas de fadiga • Google integrado • volante aquecido • 5 estrelas Euro NCAP
Preço em Portugal
a partir de 64.900 euros
























