O lendário comboio da Belmond prepara-se para um novo itinerário que une o charme parisiense, a história de Pompeia e o azul infinito de Ravello — e leva o sonho sobre carris até ao Mediterrâneo.
A noite cai sobre Paris, e o som do apito ecoa como uma promessa antiga. As luzes da estação refletem-se nas janelas de mogno polido; lá dentro, os passageiros brindam com champanhe enquanto o mundo começa a mover-se devagar. O destino? Um dos mais belos cenários do planeta: a Costa Amalfitana. Pela primeira vez, o lendário Venice Simplon-Orient-Express — o comboio que fez da viagem uma arte — ruma ao sul de Itália, numa travessia que funde o charme da era dourada com o luxo contemplativo dos dias de hoje.
O regresso do glamour perdido
Há comboios que transportam pessoas. E há outros, mais raros, que transportam histórias. O Venice Simplon-Orient-Express é um desses mitos: um museu em movimento, restaurado até ao mais ínfimo detalhe, onde o som metálico das rodas sobre os carris se mistura com o tilintar de copos de cristal e com as conversas em surdina de quem viaja sem pressa.
Operado pela Belmond — guardiã contemporânea de alguns dos mais icónicos hotéis e experiências do mundo — o comboio segue agora para um novo capítulo. Como escreveu a Robb Report, esta é a primeira vez que o seu mapa inclui a mítica Costa Amalfitana, “um cenário tão cinematográfico que parece ter sido desenhado para o olhar que viaja”.
Entre paisagens e memórias
O percurso começa na capital francesa, onde tudo é promessa. À medida que o comboio se afasta, as janelas tornam-se molduras de uma Europa em movimento — campos, aldeias, vinhas, montanhas. O interior das carruagens, com painéis de marchetaria e tapetes de lã densa, reflete uma elegância que resiste ao tempo. No carro-restaurante, o jantar é servido em porcelana fina, e o menu muda de sotaque a cada fronteira atravessada.
Durante o serão, o carro-bar 3674 acolhe música ao vivo, cocktails preparados com precisão, e aquela leve sensação de estar num filme em que o mundo inteiro se move, menos nós. É o luxo de ter o tempo de volta.
Paragem na eternidade
A viagem segue em direção ao sul de Itália e faz escala em Pompeia — cidade suspensa no tempo desde o ano 79 d.C. Aqui, os passageiros descem para um passeio guiado entre colunas e sombras antigas. Em silêncio, observa-se a vida tal como ficou, intacta e arrebatadora, sob as cinzas do Vesúvio.
A Robb Report sublinha que os viajantes instalados nas suítes mais exclusivas terão acesso a áreas raramente abertas ao público — um privilégio que transforma a visita em viagem interior: a descoberta de uma civilização e, de certa forma, de nós próprios.
Depois, o comboio cede lugar à estrada sinuosa da costa. O destino é Ravello — onde o Hotel Caruso, outro ícone Belmond, ergue-se num antigo palácio do século XI. Dali, o horizonte é uma sucessão de azuis e penhascos, e a piscina parece flutuar sobre o Mediterrâneo.
É o cenário ideal para os dois dias seguintes: um jantar ao ar livre, sabores da região do Cilento — anchovas, feijão Controne, alcachofras e azeite fresco —, música tradicional e o som do mar lá em baixo, como um metrónomo natural. O chef Armando Aristarco, alma da cozinha do Caruso, transforma cada prato num postulado da terra. Há quem escolha descobrir Positano de barco; outros, pintar o mar com pigmentos que secam depressa ao sol.
Tudo ali convida à lentidão: os passos, as conversas, o modo como o vento se infiltra nas toalhas brancas ao fim da tarde.
Luxo que se sente, não se mostra
Há uma elegância silenciosa em chegar à Costa Amalfitana a bordo de um comboio centenário. Não é o destino o que importa, mas o modo como se chega — e o que se sente pelo caminho. Viajar com a Belmond é um ato de reconciliação com o tempo: o tempo de olhar, de provar, de ouvir, de existir com propósito e sem pressa.
Pascal Deyrolle, diretor-geral da VSOE, resume-o assim: “Esta jornada oferece uma forma única de experienciar uma das costas mais célebres do mundo — com as suas falésias, vilas e vistas marítimas reveladas como só o Venice Simplon-Orient-Express as pode mostrar.”
No final, resta a sensação de que cada quilómetro foi uma despedida do ruído. A viagem torna-se meditação, o comboio, refúgio. Quando o último copo de champanhe é pousado, o mar lá em baixo parece um espelho: o reflexo de um tempo que já não existe — e que, por um breve instante, voltámos a habitar.
Venice Simplon-Orient-Express, A Belmond Train
Itinerário: Paris – Pompeia – Ravello
Próxima partida: Maio de 2026
Duração: Três dias de viagem e estadia
Alojamento: Cabines Históricas, Suítes e Grand Suites
Hotel incluído: Belmond Hotel Caruso, Ravello
Reservas e informações: www.belmond.com
Tel.: +44 845 077 2222
Email: reservations.europe@belmond.com



















