Em vésperas de inaugurar a sua exposição na Albuquerque Foundation, em Sintra, Nina Beier revela num instante o olhar que transforma pombos, ombreiras e até montanhas em arte.
A partir deste fim-de-semana, o trabalho de Nina Beier pode ser visto na Albuquerque Foundation, em Sintra. A artista dinamarquesa, que vive entre Copenhaga e Berlim, tornou-se uma das vozes mais intrigantes da arte contemporânea ao transformar objetos quotidianos em reflexões sobre valor, permanência e fragilidade. Entre esculturas feitas de tapetes persas, perucas ou animais empalhados, a sua obra desafia a forma como atribuímos significado às coisas.
No nosso “Num Instante”, Beier deixa entrever o seu universo com respostas tão inesperadas quanto reveladoras: a memória de um pequeno quadro de Hammershøi em Copenhaga, os pombos das Tulherias, a vontade de transformar ombreiras em arte ou até o desejo de voltar a polir o pico de uma montanha. No estúdio, o tabaco é presença constante; fora dele, são os humanos que mais a inspiram. Um retrato rápido de uma artista que insiste em olhar o mundo de ângulos improváveis — e em torná-lo inesquecível.
A obra de arte mais marcante que viu recentemente?
Um pequeno quadro de Hammershøi, na The David Collection, em Copenhaga.
Um objeto do quotidiano que gostaria de transformar em arte?
Ombreiras.
Algo que está sempre presente no seu estúdio?
Tabaco.
Um artista (do passado ou do presente) com quem gostaria de dialogar?
Lutz Bacher.
O material que mais a surpreendeu ao trabalhar?
Os pombos nos Jardins das Tulherias, em Paris.







