Durante anos, Moncho Moreno trabalhou com cabelos sujeitos a tudo. Daí nasceu uma convicção: o cuidado capilar precisava de resultados, não de promessas. Assim começou a sua marca.
Durante décadas, Moncho Moreno esteve onde o erro não tem lugar. Nos bastidores dos desfiles, em campanhas internacionais, em contacto direto com casas como Chanel, Armani ou Dior. Ali, o cabelo é matéria viva, exposta a calor extremo, química, repetição, pressão. É nesse território exigente que se forma a sua visão profissional e também a sua inquietação.
“Depois de anos a trabalhar com grandes casas de moda, senti que tinha experiência suficiente para trazer a minha própria visão para o haircare”, explica. “Queria criar produtos que combinassem eficácia profissional com uma experiência sensorial, à minha maneira, sem depender de uma grande corporação”, explica Moncho Moreno, hair stylist.
A marca que hoje leva o seu nome nasce dessa maturidade, como síntese de percurso. Um projeto onde a experiência acumulada deixa de servir terceiros e passa a estruturar uma proposta própria.
Da experiência ao método
A decisão de avançar surge em 2020, num momento pouco propício a apostas ambiciosas. Para muitos, um ano de suspensão. Para Moncho Moreno e para Berta Martín, sua mulher e CEO da marca, um ponto de viragem.
“Foi um ano cheio de incerteza”, recorda Berta. “O equilíbrio vem de ter um projeto sólido, um plano realista e confiança absoluta na pessoa com quem se trabalha.” A equação era simples: se juntassem visão criativa, método e compromisso, o risco podia transformar-se em oportunidade.
Desde o início, a ambição não era lançar mais uma linha de produtos, mas responder a uma falha estrutural no mercado. “Percebemos que muitos produtos prometiam reparar, hidratar, nutrir, mas não entregavam resultados visíveis e duradouros”, explica Moncho. “Queríamos criar uma solução que combinasse ciência, inovação e prazer sensorial. Algo que transformasse verdadeiramente o cabelo da raiz às pontas.”
Essa leitura nasce da prática diária. Do contacto direto com cabelos que precisam de resistência, elasticidade e recuperação real, não de fórmulas que se esgotam no discurso.
A ciência como fundamento, não como argumento
É nesse contexto que surge a patente M28, hoje o núcleo tecnológico da marca. O ponto de partida foi a observação do desgaste quotidiano do cabelo. “O estudo começou ao observar como o cabelo é danificado todos os dias. Queríamos ir além dos tratamentos de superfície e reparar a partir da proteína.”
O desenvolvimento da M28 levou vários anos de investigação, testes e colaboração com laboratórios especializados. O resultado é um sistema capaz de criar novas ligações entre proteínas danificadas, atuando na estrutura interna do fio. “O M28 não se limita a reparar. Cria novas ligações. E isso traduz-se em resultados visíveis e duradouros desde a primeira utilização.”
Quando a linguagem científica se traduz para o quotidiano, o discurso simplifica-se. “Cabelo mais forte, mais liso, mais brilhante, mais fácil de trabalhar. É assim que a ciência se torna visível e real na vida diária.”
Nada é abstrato neste processo. “Cada produto nasce da minha experiência nos bastidores e nos salões”, sublinha Moncho. “Eu sei o que o cabelo precisa para aguentar styling, coloração e a vida diária. Essa compreensão guia todas as fórmulas.”
Daí a ideia recorrente de “experiência de salão em casa”. Não como slogan, mas como objetivo técnico e sensorial. “Significa que qualquer pessoa pode sentir que o cabelo recebeu um tratamento profissional, mesmo na sua casa-de-banho. Queremos que a eficácia e o ritual sejam acessíveis.”
A sensorialidade é parte integrante dessa equação. “A ciência dá-nos eficácia. Mas são a textura, o cheiro e o feel que transformam o cuidado num prazer. Essa combinação define a Moncho Moreno.”
Uma marca que cresce sem perder eixo
A estética acompanha essa lógica de contenção e clareza. O design minimalista das embalagens tornou-se assinatura. “Queremos comunicar elegância, clareza e confiança. Menos é mais.” O visual limpo reflete a pureza das fórmulas e a postura profissional da marca, sem ruído nem distração.
Em Espanha, a Moncho Moreno rapidamente se afirmou como marca de culto. Quando os produtos passaram a ser referência e surgiu procura fora do país, a expansão internacional aconteceu com naturalidade. Portugal entra nesse percurso como território estratégico. “É um mercado com consumidores exigentes, que valorizam qualidade e tendências”, explica Moncho. A escolha da Primor como parceiro exclusivo prende-se com essa leitura e com a capacidade de preservar a experiência da marca.
A sustentabilidade surge integrada, sem dramatização. “Selecionamos ingredientes responsáveis, embalagens recicláveis e fórmulas concentradas para minimizar impacto.” A inovação continua em áreas como novas tecnologias de reparação, proteção da cor e soluções cada vez mais personalizadas, sempre com o mesmo critério: desempenho profissional aliado a prazer sensorial.
A relação entre criativo e CEO assenta em fronteiras bem definidas. “Comunicamos constantemente e respeitamos as áreas de cada um”, explica Moncho. Ele concentra-se no produto e na criação; Berta lidera estratégia e operações. A cultura interna define-se por valores não-negociáveis: paixão, excelência, integridade e criatividade.
Num mercado onde o consumidor é cada vez mais informado, a exigência é vista como estímulo. “Eles pedem transparência e eficácia”, reconhece. “Isso obriga-nos a melhorar continuamente.”
Quanto ao futuro, a ambição é direta: tornar-se uma referência global em inovação e experiência de haircare, sem perder a raiz profissional espanhola. E quanto ao legado, a resposta mantém-se simples e firme: “Que o cuidado capilar seja visto como essencial. Tratado com ciência, paixão e respeito.”
Sem promessas. Com método. Como o cabelo, quando finalmente encontra o que precisa.















