A Herdade da Malhadinha Nova integra a Hospitality Collection da Assouline. Um reconhecimento reservado a projetos com identidade própria, agora reunido num livro que fixa o Alentejo como destino, visão e forma de estar.
Nem todos os lugares se transformam bem em livro. Alguns vivem do momento, da luz certa, do dia certo. Outros resistem à fixação em papel porque a sua força está no detalhe, no silêncio, no intervalo entre coisas. A Malhadinha Nova pertence a um terceiro grupo, mais raro: lugares que ganham densidade quando são observados com tempo. Talvez por isso tenha sido escolhida pela Assouline para integrar a sua biblioteca.
Malhadinha: The Heart of Alentejo não nasce como álbum ilustrado nem como exercício promocional. É uma leitura cuidada de um projeto com mais de duas décadas, desenvolvido a partir de uma visão familiar que nunca se deixou deslumbrar pelas tendências. A entrada na Hospitality Collection da editora francesa confirma aquilo que muitos já sabiam: a Malhadinha ultrapassou o estatuto de herdade, hotel ou adega. Tornou-se um destino com linguagem própria.
Localizada no Baixo Alentejo, a Herdade da Malhadinha Nova estende-se por centenas de hectares onde convivem vinhas, olivais, produção agrícola, criação animal, hospitalidade e gastronomia. Tudo isto sem compartimentos estanques. A coerência do projeto está precisamente nessa continuidade: nada parece acrescentado para agradar ao visitante, tudo existe porque faz sentido ali.
Desde a aquisição da propriedade pela família Soares, em 1998, o percurso foi feito de decisões graduais. Primeiro as vinhas, depois a adega, mais tarde a abertura à hospitalidade, sempre com uma leitura contemporânea da ruralidade alentejana. As casas recuperadas a partir de ruínas, os interiores depurados, a relação direta com a paisagem e a forma como o tempo é tratado como aliado criam uma sensação de permanência difícil de reproduzir.
A gastronomia — distinguida com Estrela Verde Michelin — segue a mesma lógica. Produto próprio, sazonalidade, proximidade com o território e uma abordagem que dispensa teatralidade. Comer na Malhadinha é perceber que o luxo pode ser silencioso, mas nunca neutro. Há convicção em cada prato.
O mesmo se aplica à experiência de quem fica. Caminhar pelas vinhas, participar na vindima, provar vinhos onde nascem, montar a cavalo, ficar simplesmente a ver o dia passar. Não há programa imposto, há um ritmo que se oferece. Talvez seja isso que explique a presença recorrente de artistas, criativos e figuras públicas que procuram a Malhadinha como refúgio. A discrição faz parte do pacto.
O livro, assinado pela jornalista Gaia Lutz, acompanha esse espírito. Texto contido, fotografia que privilegia a luz natural, ausência de dramatização. A Malhadinha surge como aquilo que é: um projeto agrícola e humano, profundamente enraizado no território, mas com uma leitura global do que hoje se entende por hospitalidade de excelência.
Para a Assouline, que desde 1994 constrói uma biblioteca de cultura, viagens e savoir-faire, esta escolha tem peso simbólico. Estar ali significa pertencer a um conjunto restrito de lugares que contam uma história para além da geografia.
No final, Malhadinha: The Heart of Alentejo funciona como registo e como espelho. Regista um percurso feito de consistência e visão. Reflete um projeto que não precisou de mudar para ser reconhecido. Apenas continuou.
Coleção: Hospitality Collection
Editora: Assouline
Formato: Edição de capa dura,188 páginas, 23 x 30 cm
Lançamento internacional em janeiro de 2026


















