La Beauté Louis Vuitton chegou às lojas com batons de 140 euros e paletas de sombras de 220. Criada por Pat McGrath, a coleção promete transformar a maquilhagem em objeto de desejo — entre entusiasmo e polémica.
A Louis Vuitton sempre soube transformar a utilidade em arte. Desde que, em meados do século XIX, inventou baús e malas que acompanhavam aristocratas e exploradores em longas viagens, a maison habituou-nos a ver o quotidiano sob outra luz. Agora, com a estreia de La Beauté Louis Vuitton, o mesmo acontece com a maquilhagem: não se trata apenas de cosméticos, mas de mini necéssaires de luxo, pensados para guardar memórias e desejos tanto quanto cores.
À frente desta coleção está Dame Pat McGrath, a mais célebre das maquilhadoras contemporâneas. Ao longo de décadas, a britânica moldou visões estéticas nos bastidores da moda e trouxe agora para a Louis Vuitton a sua abordagem artística, exuberante e visionária. A campanha, fotografada por Steven Meisel, materializa essa ambição: desertos carmesim e lagos cor-de-rosa acolhem Hoyeon e outras modelos num cenário que flutua entre sonho e realidade.
O regresso dos nécessaires
A ligação à história da maison é mais profunda do que parece. Desde os anos 20 que a Louis Vuitton criava pequenas caixas e nécessaires de maquilhagem para as suas clientes aristocráticas e estrelas de Hollywood. Já no início do século XX, era comum encontrar nos baús Vuitton compartimentos especiais para frascos de perfume e estojos de pó de arroz, criados para resistir a longas travessias marítimas. Havia ainda nécessaires em pele exótica, como o que a soprano Marthe Chenal encomendou em 1925, em plena Belle Époque, hoje preservado nos arquivos da maison em Paris. Até as primeiras carteiras Louis Vuitton foram desenhadas para que as mulheres pudessem transportar os seus batons com elegância, num tempo em que beleza e viagem eram inseparáveis. Objetos meticulosamente desenhados, capazes de transportar pó de arroz, batons e pequenos frascos de perfume em viagens transatlânticas.
Os estojos de La Beauté retomam esse espírito: mini necéssaires de design contemporâneo, concebidos por Konstantin Grcic e dotados de um sistema de fecho em forma de flor. Recarregáveis e robustos, evocam a tradição artesanal da marca, como se cada batom fosse um micro-baú que cabe na palma da mão. É este elo — entre passado e futuro, entre baús monumentais e pequenos objetos de beleza — que confere uma dimensão quase colecionista à linha.
A coleção em detalhe
O coração da estreia está nos LV Rouge, 55 batons entre acabamentos mate e cremosos, formulados com manteiga de karité e ácido hialurónico, perfumados com notas florais de mimosa, jasmim e rosa. Os dez LV Baume oferecem bálsamos hidratantes de efeito translúcido, enriquecidos com notas de menta e framboesa. Já as oito paletas LV Ombres surgem como pequenas composições cromáticas, com três neutros e uma cor de destaque em cada conjunto, enriquecidas com esqualano e extrato de flor de camelina.
São peças desenhadas para serem guardadas, exibidas e usadas como parte de um ritual. Tal como um nécessaire antigo carregava não apenas produtos mas também uma certa ideia de viagem e distinção, também aqui o gesto quotidiano de aplicar batom ganha o peso de uma herança.
O preço da exclusividade
O detalhe histórico não apagou a polémica: um batom ou bálsamo custa 140 euros, enquanto uma paleta de sombras chega aos 220 eruos. Os refills, mais acessíveis, variam entre 64 e 85 euros. São valores que afastam esta linha da maquilhagem de luxo convencional, provocando debate.
A atriz Lindsay Lohan resumiu o sentimento de muitos: “Too much. Not worth it.” Nas redes sociais, multiplicam-se comentários incrédulos, comparando a oferta da Louis Vuitton com a de outras casas de prestígio.
Ainda assim, há quem veja nos preços um posicionamento deliberado: não se trata de cosméticos utilitários, mas de objetos de coleção. Tal como uma carteira Capucines ou um baú histórico, um batom Vuitton é pensado para ultrapassar o tempo de vida de um simples produto de beleza e tornar-se símbolo.
Uma nova era
La Beauté Louis Vuitton é a fusão entre património artesanal, design contemporâneo e desejo coletivo. Ao transformar cada estojo de maquilhagem numa miniatura de nécessaire, a maison inscreve a beleza no mesmo mapa de herança e de arte aplicada que sempre guiou a sua história.
O futuro dirá se o público acompanhará esta visão, mas o impacto cultural já está assegurado. Fascínio, críticas e curiosidade convergem numa coleção que, ao mesmo tempo que recupera o passado, inaugura uma nova era para a maquilhagem de luxo.
Avenida da Liberdade, nº190-194, Lisboa
Tel.: 213 243 860
E-mail: clientservices.pt@louisvuitton.com
Horário: segunda a sábado, das 10h00 às 20h00; domingo, das 11h00 às 19h00



















