Cláudio Martins fundou a Martins Wine Advisor e tornou-a referência internacional. Agora lança a Latitude 38º, um serviço privado que gere o universo vínico dos seus clientes como se fosse o seu próprio.
Cláudio Martins não precisa de se apresentar a quem conhece o mercado vínico de luxo. Durante mais de uma década, construiu a Martins Wine Advisor a partir de Portugal para o mundo, acumulando três distinções consecutivas como o melhor serviço de wine advisory do Reino Unido, gerindo as garrafeiras privadas de family offices, proprietários de yachts e colecionadores de elevado património. Era um percurso que qualquer outro fundador guardaria intacto, consolidaria, deixaria assentar. Cláudio decidiu ir mais longe.
Nasce assim a Latitude 38º, uma private wine & fine spirits advisory que representa, ao mesmo tempo, uma evolução natural e uma rutura deliberada com o modelo que o tornou reconhecido. Não é uma consultoria no sentido clássico do termo, é antes uma espécie de figura discreta que existe entre o cliente e o mundo do vinho, antecipando necessidades, gerindo detalhes, garantindo que cada garrafa está no lugar certo, na ocasião certa, sem que o cliente precise sequer de pensar nisso. Quase como um concierge vínico.
A complementaridade como ponto de partida
O projeto nasce de uma trilogia de percursos que se encaixam com uma naturalidade que surpreende. Do lado da expertise vínica, Cláudio Martins traz consigo o capital de confiança construído ao longo de mais de uma década junto dos clientes mais exigentes do segmento privado, incluindo famílias reais e organizações com necessidades de gestão patrimonial muito além do simples aconselhamento de compra.
Do lado da hospitalidade e da experiência, entra Charly Rodrigues, criado entre França e Portugal, que regressou há seis anos em busca de autenticidade e encontrou na Comporta, através da Casa Idália, uma convicção que viria a moldar tudo o que se seguiu. “O que fica connosco raramente é o luxo em si, mas a forma como nos faz sentir. Uma receção calorosa. Uma conversa com significado. Um momento partilhado à volta de uma mesa”, diz. Foi dessa intuição que nasceu a Winesquecível, um serviço de experiências vínicas privadas e à medida na região da Comporta – e foi essa mesma filosofia que trouxe Charly para a Latitude 38º.
O terceiro elemento é Frederic Bille, empreendedor francês com um percurso no digital de luxo que antecipa, de forma quase natural, o espírito da Latitude 38º. Em 2007, cofundou a Beautéprivée, a plataforma líder em França de vendas privadas online de cosméticos e bem-estar, que chegou a mais de três milhões de membros e oitocentas marcas parceiras antes de ser adquirida pela Showroomprivé. O que Frederic construiu nesse projeto – acesso restrito, curadoria de marcas premium, relação de confiança com um cliente exigente – é exatamente o modelo que agora traz para o universo do vinho.
A escolha do nome não é arbitrária. O paralelo 38º norte atravessa Portugal, atravessa o Mediterrâneo, toca a Toscana, beira Saint-Tropez, roça a costa da Comporta. É a latitude de uma certa ideia de vida bem vivida, de paisagens que partilham luz, ritmo e uma relação íntima com a mesa, com o copo, com o momento. Uma coordenada geográfica que funciona como metáfora de tudo aquilo que a empresa quer ser: um serviço que existe exatamente onde os seus clientes vivem e se movem.
O que significa gerir um património vínico privado
A Latitude 38º opera numa faixa do mercado onde as necessidades raramente aparecem enunciadas de forma clara. O cliente de elevado património não procura alguém que lhe recomende um Borgonha interessante para o jantar de sábado. Procura alguém que conheça o seu estilo de vida com suficiente profundidade para saber que o jantar de sábado vai acontecer em Saint-Tropez, que os convidados têm gostos específicos, que a garrafeira no yacht precisa de ser reabastecida, que o lote que estava reservado para essa ocasião em particular foi descuidadamente aberto numa noite diferente e que é preciso encontrar uma alternativa à altura.
É este o território em que a Latitude 38º trabalha. Uma gestão de coleções privadas que abrange desde a aquisição de referências raras até à logística internacional de transporte e armazenamento. A organização de experiências exclusivas junto de produtores com quem a equipa mantém relações de confiança construídas ao longo de anos. O acesso a vinhos que nunca chegam ao mercado convencional, circulando apenas entre redes fechadas de conhecimento muito específico. O acompanhamento contínuo das garrafeiras dos clientes, independentemente de onde elas se encontrem fisicamente no mundo.
O modelo exige uma disponibilidade e um nível de personalização que vai muito além do que a maioria das empresas do setor consegue ou está disposta a oferecer. Cada serviço é desenhado individualmente, partindo de uma compreensão detalhada das preferências, dos hábitos de consumo, dos objetivos de coleção e do contexto de vida de cada cliente. O que fica, no final, não é uma lista de recomendações. É uma relação.
Uma geografia que é também uma declaração de intenções
A Latitude 38º tem raízes na Comporta, na Costa Vicentina e em Lisboa, mas a sua operação não reconhece fronteiras. A equipa acompanha clientes em Saint-Tropez, Ibiza, na Toscana, ao longo de toda a costa mediterrânica, e noutros destinos que se somam à medida que a rede de clientes se expande. Em qualquer ponto, o compromisso mantém-se inalterado: discrição, excelência, e o serviço desenhado para que o cliente nunca precise de se preocupar com os detalhes.
Esta ancoragem geográfica em Portugal, nomeadamente na faixa costeira entre Lisboa e o Alentejo Litoral, não é apenas um ponto de partida operacional. É uma posição de mercado. A Comporta e a Costa Vicentina tornaram-se, nos últimos anos, destinos de referência para um certo tipo de cliente europeu e internacional com elevado poder de compra e uma relação sofisticada com o prazer. É nesse ecossistema que a Latitude 38º faz sentido, onde o vinho não é um produto isolado mas parte de uma experiência mais ampla de vida, de paisagem, de mesa e de convívio.
A rede que sustenta este serviço foi construída ao longo de anos de relações com produtores, adegas, negociantes e colecionadores. Um ecossistema de confiança que permite aceder a oportunidades que simplesmente não existem nos canais habituais, seja um lote nunca colocado no mercado, seja uma visita privada a um produtor que normalmente não recebe, seja uma garrafa da qual existem menos de cem exemplares conhecidos.
Frederic Bille sintetizou com precisão o que une os três fundadores: uma visão comum, valores partilhados, e a ambição de construir algo elegante, autêntico e duradouro. Na linguagem do luxo contemporâneo, onde tudo parece aspirar a essas qualidades sem as ter de facto, a diferença está sempre na execução. E a execução, neste caso, é exatamente o produto.













