A Gala dos Sóis Guia Repsol 2026 realiza-se a 13 de abril, em Évora. Uma escolha que reforça o papel crescente do Alentejo na alta gastronomia nacional e ibérica.
A 13 de abril de 2026, o Teatro Garcia de Resende, em Évora, será o centro da gastronomia portuguesa. É ali que o Guia Repsol volta a reunir chefs, críticos e profissionais do setor para atribuir os seus Sóis – distinções que, desde o regresso do guia a Portugal, ganharam uma nova ambição.
A escolha não é inocente. Depois de regressar ao país em 2025, com uma edição que distinguiu 194 restaurantes e atribuiu Sóis a 70 casas, o Guia Repsol decide agora deslocar o foco para o interior. E para uma cidade que, discretamente, se tornou um dos polos mais interessantes da restauração nacional.
Évora junta história, produtores sólidos e uma geração de cozinheiros que olha para a tradição sem nostalgia. Soma-se ainda o facto de ser Capital Europeia da Cultura em 2027, reforçando uma narrativa que cruza património, identidade e contemporaneidade.
Segundo José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, a gala representa uma oportunidade de projetar o território, valorizando produtos, vinhos e cultura. Carlos Zorrinho, presidente da Câmara Municipal de Évora, fala num duplo reconhecimento: da excelência da cidade e da própria gala.
Guia Repsol quer ser comunidade
O Guia Repsol esteve presente em Portugal entre 1989 e 2016. Regressou nove anos depois, com uma estrutura 100% digital e a intenção declarada de ser ponto de encontro da comunidade gastronómica. Em novembro de 2025 lançou ainda os Soletes, dedicados à restauração do quotidiano, distinguindo 285 espaços. No total, reúne hoje 479 restaurantes em Portugal.
A estratégia é diferenciadora: não se limita ao fine dining. Quer mapear o país inteiro, do restaurante de celebração ao endereço informal onde se volta vezes sem conta.
Num ecossistema onde a Michelin dita grande parte do discurso internacional, o Guia Repsol afirma uma lógica ibérica, mais próxima do território e da cultura local. Não procura apenas distinguir excelência técnica; valoriza identidade, ligação à comunidade e coerência gastronómica. É uma abordagem menos globalizada, mais enraizada.
A escolha de Évora reforça também um movimento mais amplo de descentralização. Ao colocar o foco no interior, o guia contribui para reequilibrar o mapa mediático da restauração portuguesa, tradicionalmente concentrado em Lisboa e no Porto. Eventos desta dimensão funcionam como instrumentos de promoção turística, mas também como catalisadores reputacionais para chefs, produtores e destinos.
O espelho espanhol
O que hoje acontece em Portugal já é uma realidade consolidada em Espanha. Na Gala Guia Repsol Espanha 2026, realizada em Tarragona, foram distinguidos 83 novos restaurantes, num universo que já integra 46 casas com três Sóis, 173 com dois e 589 com um. A escala é outra. A maturidade também.
O modelo espanhol demonstra que o Guia Repsol pode tornar-se uma referência estruturante no ecossistema gastronómico de um país. Portugal encontra-se numa fase diferente, ainda em crescimento, mas a ambição é evidente: criar uma rede de reconhecimento que dialogue com o turismo, com os produtores e com as novas gerações de cozinheiros.
A Gala de Évora surge, nesse contexto, como momento de consolidação de um projeto que pretende ganhar peso institucional e relevância mediática. No Teatro Garcia de Resende, com os seus 320 lugares e herança neoclássica, o cenário será histórico. O momento, esse, será contemporâneo.
Como funcionam os Sóis Guia Repsol
A atribuição dos Sóis é feita por especialistas locais que avaliam a qualidade da cozinha, o domínio técnico, a escolha e tratamento do produto, a coerência da proposta e a experiência global. As distinções dividem-se em um, dois ou três Sóis, refletindo diferentes níveis de excelência.
Para além dos Sóis, o Guia Repsol distingue também restaurantes recomendados e, desde 2025, os Soletes, dedicados a espaços mais informais, de uso quotidiano. Com presença exclusivamente digital, através de site e aplicação, o guia posiciona-se como ferramenta de descoberta gastronómica e turística, cruzando restauração, território e viagem.







