De 12 a 16 de novembro, a Feira de Outono regressa à Sociedade Nacional de Belas Artes, reunindo 17 expositores e um público fiel que encontra na arte antiga um reflexo do tempo presente.
Em cada edição, a Feira de Outono – Arte e Antiguidades reafirma o seu papel como um dos encontros mais aguardados do calendário artístico nacional. Organizada pela Associação Portuguesa dos Antiquários (APA), a feira regressa à Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, entre 12 e 16 de novembro, trazendo consigo o fascínio do tempo — e o prazer de o revisitar. Uma celebração do diálogo entre o antigo e o contemporâneo, entre o olhar que coleciona e o gesto que preserva.
Um olhar íntimo sobre o tempo
A edição de 2025 será a sexta e também a mais participada de sempre. Dezassete expositores — nomes de peso no panorama nacional — reúnem-se num mesmo espaço para celebrar o diálogo entre épocas, estilos e materiais. Entre os confirmados, destacam-se a Galeria São Mamede, referência incontornável na promoção da arte moderna e contemporânea; o antiquário Manuel Castilho, cuja seleção revela sempre o equilíbrio entre rigor histórico e olhar curatorial; a TremA Arte Contemporânea, que leva à feira a frescura das linguagens atuais; Tomás Branquinho da Fonseca (TBF Fine Art), presença regular em eventos internacionais; e Kukas by Casa Fortunato, conhecida pelo design de interiores que cruza passado e presente com naturalidade.
A Feira de Outono é uma daquelas experiências que não se visitam a correr. As salas da SNBA, com a sua luz filtrada e acústica contida, convidam à observação lenta: porcelanas chinesas repousam ao lado de pratas portuguesas, esculturas sacras dividem espaço com pinturas abstratas, mobiliário histórico dialoga com peças de design de autor. É este convívio improvável que faz da feira um acontecimento singular.
Parte do seu prestígio reside na peritagem independente das obras, assegurada por especialistas de museus e instituições culturais, que examinam e certificam cada peça antes da sua entrada em exposição. Essa prática — quase invisível para o visitante, mas essencial — confere à feira uma aura de confiança e rigor que tem sido a marca da APA ao longo de mais de três décadas.
Fundada em 1990, a associação representa os antiquários portugueses e defende a ética, a qualidade e a autenticidade no comércio de arte. É também membro da CINOA, a confederação internacional que reúne as principais associações de negociantes de obras de arte, reforçando a ligação de Portugal a um circuito global exigente e respeitado.
Embora partilhe o mesmo selo organizativo da LAAF – Lisbon Art and Antiques Fair, realizada na Cordoaria Nacional, a Feira de Outono distingue-se pela escala mais íntima e atmosfera mais próxima. Aqui, não há multidões nem o ruído de grandes lançamentos. Há conversas demoradas, visitas repetidas e um público que conhece os expositores pelo nome.
A LAAF é a montra maior, com 35 expositores e uma programação paralela robusta; a Feira de Outono é a irmã mais concentrada, onde o colecionador encontra tempo e contexto para descobrir. Lisboa, cidade de antigos palácios e novos colecionadores, torna-se nestes dias o palco ideal para esse diálogo silencioso.
A cidade como galeria
Entre as peças em destaque, será possível encontrar mobiliário histórico e moderno, jóias antigas, porcelanas orientais, arte tribal, cerâmicas portuguesas, pratas, imaginária religiosa e pintura de diferentes épocas. Cada objeto transporta um fragmento do tempo e, juntos, compõem um retrato plural da cultura material.
Há também a presença da contemporaneidade — não como rutura, mas como continuidade. Galerias como a Bessa Pereira ou a TremA trazem à feira a prova de que o design e a arte de hoje já são o património de amanhã.
A escolha da Sociedade Nacional de Belas Artes como palco da feira não é casual. O edifício, que há mais de um século acolhe gerações de artistas, críticos e curiosos, é ele próprio uma síntese de história e modernidade. No coração da cidade, a dois passos da Avenida da Liberdade, torna-se o cenário ideal para uma feira que se quer acessível, elegante e atenta à autenticidade.
Durante cinco dias, o espaço transforma-se numa espécie de gabinete de curiosidades contemporâneo, onde o visitante pode circular entre séculos, estilos e geografias sem sair de Lisboa.
Feira de Outono – Arte e Antiguidades 2025
Morada: Sociedade Nacional de Belas Artes, Rua Barata Salgueiro nº36, Lisboa
Data: 12 a 16 de novembro
Horário: Quarta a sábado, 15h–22h | Domingo, 15h–19h
Bilhetes: 12 euros (individual) / 20 euros (duplo)







