A Hermès encerrou 2025 com 16 mil milhões de euros em vendas e margem operacional de 41%. Cresceu 10% no quarto trimestre e entra em 2026 com confiança.
Enquanto várias casas de luxo recalibram metas e afinam discursos, a Hermès apresenta escala. Em 2025, a casa francesa atingiu 16 mil milhões de euros em receitas, um crescimento de 9% a taxas de câmbio constantes. Não é apenas um bom ano. É a consolidação de uma estratégia bem montada.
No quarto trimestre, as vendas somaram 4,1 mil milhões de euros, mais 10%, mantendo o ritmo do trimestre anterior apesar de uma base comparativa exigente. O Financial Times destacou o papel determinante dos consumidores norte-americanos de elevado poder de compra, que continuam a sustentar o topo do mercado mesmo num contexto económico menos previsível.
Mais reveladora do que o crescimento é a rentabilidade. A margem operacional recorrente atingiu 41%, acima do ano anterior. Num setor onde várias marcas enfrentam compressão de margens, este número traduz controlo, poder de preço e uma estrutura integrada difícil de replicar.
Geografia equilibrada, América a liderar
O crescimento foi transversal. As Américas avançaram 12%, o Japão 14% e a Europa 10%. A Ásia excluindo Japão cresceu 5% no ano e acelerou para 8% no último trimestre, sinal de estabilização após dois anos mais frágeis na China.
A leitura que o FT tem vindo a sustentar mantém-se válida: o segmento mais alto do luxo continua resiliente, mesmo quando o consumo aspiracional revela maior sensibilidade.
Artigos em pele continuam a ser o motor
A divisão de artigos de pele e selaria, responsável por 44% das vendas totais, cresceu 13% e atingiu 7,07 mil milhões de euros. É o núcleo financeiro da casa e o reflexo direto da sua estratégia de escassez controlada.
Em 2025, a Hermès inaugurou o 24.º atelier de marroquinaria em França e mantém quatro novos projetos em curso até 2030. O investimento total ascendeu a 1,16 mil milhões de euros, direcionado sobretudo para lojas, distribuição e reforço da capacidade produtiva.
Nem todas as categorias acompanharam este dinamismo. Perfume e Beleza recuaram 8% e os relógios 2%, confirmando que as linhas mais expostas a um público intermédio enfrentam maior pressão.
Lucros sólidos e visão de longo prazo
O resultado líquido atribuível aos acionistas foi de 4,5 mil milhões de euros. Excluindo contribuição excecional, o crescimento anual foi de 5,5%. A posição líquida de caixa aproximou-se dos 13 mil milhões de euros, reforçando uma base financeira confortável.
Ao longo da última década, as vendas registaram uma taxa média anual de crescimento de 12,7% e o lucro líquido 16,6%. Não se trata de um pico conjuntural. É consistência acumulada.
Em abril de 2025, a Hermès ultrapassou temporariamente a LVMH em capitalização bolsista. O episódio foi simbólico, mas elucidativo. Num mercado que já não recompensa dispersão estratégica, disciplina e foco tornaram-se ativos centrais.
Para 2026, o grupo mantém um objetivo ambicioso de crescimento, apesar das incertezas económicas e geopolíticas. A fórmula permanece intacta: criatividade, controlo do saber-fazer, distribuição exclusiva e expansão paciente.















