O chef Diogo Noronha abre no Chiado o Clara Café, um projeto criado com Fernão Gonçalves para acompanhar o dia inteiro. Pequenos-almoços, pratos leves e ingredientes sazonais num espaço instalado na Brotéria.
O percurso de Diogo Noronha confunde-se com a evolução recente da restauração em Lisboa. Desde os primeiros projetos autorais até às cozinhas que ajudou a lançar, o chef tem construído uma trajetória marcada pela curiosidade, pela atenção ao produto e por uma vontade constante de repensar a forma como se come na cidade.
O Clara Café, novo projeto criado com Fernão Gonçalves, surge agora no Chiado como uma espécie de regresso ao essencial: um café pensado para acompanhar o dia, onde pequenos-almoços, almoços leves e pausas prolongadas convivem naturalmente no mesmo espaço.
Instalado na Brotéria, o Clara procura afirmar-se sem estridência. A proposta parte de uma ideia simples: conforto contemporâneo aliado a uma cozinha consciente, que acompanha as estações e privilegia produtores atentos à forma como os ingredientes são cultivados e transformados. Sabores reconhecíveis, tratados com rigor.
“Não queríamos apenas abrir um café”, explicam os fundadores Diogo Noronha e Fernão Gonçalves. “Interessava-nos criar um lugar onde as pessoas se sentissem cuidadas – pela comida, pelo ambiente e pelo ritmo.”
Uma carta que acompanha o dia
A carta do Clara atravessa diferentes momentos com naturalidade. As manhãs começam com croissants simples, de queijo ou misto, torradas com requeijão, abóbora e rúcula ou com manteiga e compota de citrinos. Para quem prefere algo mais elaborado, surgem propostas como o folhado de maçã com tomilho-limão e gengibre ou uma granola de avelã, toranja e alecrim, servida com pera em calda de earl grey e bergamota.
Ao almoço, os pratos mantêm a leveza mas ganham estrutura. A omelete recheada com pasta de espinafres, servida com pão de centeio e manteiga de miso branco, partilha a carta com o ovo escalfado acompanhado de marmelada de cebola roxa, biscoito de zaatar e queijo tomme da Casa Pratas. Há ainda creme de couve-flor com cebola assada, saladas e bowls que combinam leguminosas, folhas frescas e molhos preparados na casa.
Nas sobremesas, a mesma lógica contemporânea mantém-se: bolo de limão confit com azeite e açafrão-da-índia ou uma tarte cremosa de chocolate com toffee de miso e koji de cevada.
Um novo capítulo para Diogo Noronha
Formado em Nova Iorque, no Natural Gourmet Institute for Health Culinary Arts, Diogo Noronha iniciou o seu percurso internacional antes de regressar a Portugal, onde se tornou uma das vozes mais curiosas da sua geração. Projetos como Pedro e o Lobo, Casa de Pasto, Rio Maravilha ou Pesca ajudaram a consolidar essa reputação. Este último, criado em parceria com a Plateform, recebeu o Prato Michelin em 2018 e 2019. Ao longo do tempo, a sua cozinha manteve um fio condutor claro: sazonalidade, experimentação técnica e uma permanente procura de conforto no prato.
No Clara Café, essa filosofia aparece aplicada a uma escala mais quotidiana. Um café onde a comida é levada a sério todos os dias e onde a carta se ajusta naturalmente ao que cada estação oferece.
Nos próximos meses, o espaço deverá também receber encontros intimistas e colaborações gastronómicas alinhadas com a programação cultural da Brotéria, prolongando a identidade do projeto para lá da cozinha.
O olhar do bar: Fernão Gonçalves
Ao lado de Diogo Noronha está Fernão Gonçalves, bartender com um percurso sólido no universo do bar lisboeta. Foi no restaurante Casa de Pasto que os dois se conheceram, iniciando uma colaboração que voltaria a repetir-se em projetos como o Rio Maravilha e, mais tarde, no restaurante Pesca, onde Fernão assumiu funções de chef de bar executivo.
Nascido em Lisboa, com raízes nas Azenhas do Mar, Fernão construiu a sua carreira a explorar técnicas e sabores do mundo das bebidas, um interesse que o levou a viajar e a estudar diferentes tradições de bar. Em 2024 publicou o livro Bar Aberto, escrito com Diogo Lopes. No Clara Café, essa experiência reflete-se numa atenção particular às bebidas e aos pequenos rituais que acompanham o dia, do café ao matcha.
Morada: Rua de São Pedro de Alcântara, nº3, Lisboa
Horários: De segunda a sábado, das 10h00 às 18h00
















