A Clarins acaba de inaugurar um centro de investigação dedicado inteiramente à longevidade da pele – e o que está a construir é muito mais do que ciência cosmética.
A questão que a Clarins se recusa a deixar em aberto é antiga e ao mesmo tempo urgente: porque envelhecemos? E, sobretudo, podemos fazer algo a esse respeito? A resposta que a marca francesa tem vindo a construir ao longo de três décadas de investigação ganhou, em junho de 2026, uma forma concreta: o Dr Olivier Courtin-Clarins Longevity Research Center, um polo científico dedicado inteiramente a decifrar os mecanismos do envelhecimento cutâneo e a traduzir essa ciência em soluções reais.
O Centro opera a partir de duas localizações em França – a sede em Paris e os Laboratórios em Pontoise – e reúne uma equipa multidisciplinar que atravessa a biologia do envelhecimento, a dermatologia, a epidemiologia, as ciências comportamentais, a engenharia biomédica e a ciência de dados. É uma estrutura científica de pleno direito, orientada por um comité internacional presidido pelo Dr. Olivier Courtin-Clarins, com mandato bem definido: repensar a investigação sobre longevidade para gerar impacto no mundo real.
Para quem acompanha a Clarins desde o início, a inauguração deste Centro é simultaneamente uma surpresa e uma inevitabilidade. Fundada em 1954 por Jacques Courtin-Clarins, num instituto de beleza parisiense na Rue Tronchet, a marca foi desde o primeiro dia movida por uma convicção que era então pouco comum na indústria cosmética: a de que a beleza tem uma dimensão científica que merece ser levada a sério. Jacques Courtin-Clarins vinha da fisioterapia, conhecia o corpo como sistema vivo, e aplicou esse olhar ao cuidado da pele com uma radicalidade que o distinguiu da concorrência.
Essa cultura de rigor passou para os filhos – Christian e Olivier – e é Olivier Courtin-Clarins quem hoje preside ao Centro que agora leva o seu nome. Uma empresa familiar que, em 2008, optou deliberadamente por sair da bolsa para manter a autonomia das suas escolhas, incluindo as científicas. Com 10 patentes registadas, 13 publicações revistas por pares e 12 colaborações com instituições científicas internacionais, a Clarins chega a 2026 com um percurso de investigação que muito laboratório académico poderia invejar.
A epigenética como ponto de viragem
O eixo científico do novo Centro não é a cosmética convencional. É a epigenética – e a distinção importa. A epigenética estuda de que forma o estilo de vida e o ambiente modificam a expressão dos genes sem alterar o código genético em si. Foi o biólogo e pensador francês Joël de Rosnay quem, nos anos 70, demonstrou que apenas cerca de 15% da expressão genética está determinada pela herança; os restantes 85% são moldados pelo que fazemos, pelo que comemos, pelo modo como dormimos e gerimos o stress, pela qualidade do ar que respiramos. Esta descoberta, que Rosnay compilou no livro La symphonie du vivant, mudou a forma como a ciência olha para o envelhecimento: de destino imutável a processo influenciável. É exatamente desta premissa que o Longevity Research Center parte.
“O nosso estilo de vida tem um impacto direto na expressão génica, na inflamação crónica, no stress oxidativo, na função mitocondrial e na reparação celular”, explica o Dr. Olivier Courtin-Clarins. “A pele é um excelente reflexo destas dinâmicas. É simultaneamente um órgão de barreira, um órgão imunitário e um marcador visível do nosso estado fisiológico global.” Esta frase condensa uma viragem conceptual fundamental: a pele deixa de ser vista apenas como superfície a tratar e passa a ser lida como indicador de saúde sistémica.
Uma pele que envelhece mais depressa pode sinalizar inflamação crónica, sono insuficiente, stress persistente, nutrição inadequada. Não é uma questão de aparência – é uma questão de biologia integrada. E é por isso que a longevidade, tal como a Clarins a concebe, implica muito mais do que um creme: alimentação, atividade física, gestão emocional, cuidados de pele – tudo conta, tudo interfere.
O Centro foi criado para aprofundar esta complexidade. As suas missões incluem definir as linhas estratégicas de investigação da Clarins em longevidade, lançar e supervisionar programas de doutoramento e pós-doutoramento em parceria com universidades e institutos de investigação franceses e internacionais, e publicar descobertas através de simpósios e workshops científicos. Trata-se de ciência com intenção aplicada – e a distinção é relevante num setor onde a palavra “longevidade” se tornou tão abundante quanto vaga.
Oito biomarcadores, uma filosofia
A Clarins identificou oito biomarcadores considerados determinantes para a longevidade da pele: alterações epigenéticas, comunicação celular alterada, perda de proteostase, depleção de células estaminais, disfunção mitocondrial, inflamação crónica, senescência celular e macroautofagia desativada. São oito processos biológicos distintos, cada um com implicações mensuráveis no envelhecimento cutâneo, e cada um deles alinhado com produtos concretos do portefólio da marca. Esta correspondência entre ciência e produto é o que torna a abordagem da Clarins diferente de uma declaração de intenções.
O Double Serum – o sérum icónico da marca, agora na sua nona geração – atua sobre as alterações epigenéticas através de extratos vegetais proprietários, enquanto o extrato de curcuma presente em várias versões da fórmula otimiza a comunicação celular para potenciar as cinco funções vitais da pele. As linhas Extra-Firming e Multi-Intensive, bem como o Precious La Crème, incluem o extrato de harungana – alternativa exclusiva da Clarins ao retinol – que regula a produção de colagénio para restaurar a proteostase, o processo pelo qual a célula mantém o equilíbrio das suas proteínas.
Para a senescência celular, é o crioextrato de dama-da-noite, ingrediente assinatura do Precious La Crème, que atua: ajuda a ativar a proteína da longevidade FOXO, reduzindo a presença de células envelhecidas que comprometem a regeneração. O protetor solar UV Plus Skin Barrier vai buscar à natureza o extrato de lírio-gengibre para despertar a autofagia – o mecanismo pelo qual as células eliminam os seus próprios componentes danificados, essencial para a saúde da barreira cutânea a longo prazo.
Ainda no universo do Grupo Clarins, a tecnologia de duplo núcleo LED da myLEDmask2, da marca myBlend, atua directamente sobre as mitocôndrias para promover a regeneração cutânea – endereçando a disfunção mitocondrial que é um dos principais marcadores do envelhecimento celular. E ainda em breve chegará o Fortifying Scalp Concentrate, com a TECNOLOGIA [F_03], que atua sobre os fibroblastos da papila dérmica para sustentar a vitalidade capilar. Porque a longevidade da pele, para a Clarins, inclui o couro cabeludo e o cabelo: o mesmo sistema integrado, a mesma filosofia.
A beleza que a ciência está a redefinir
A longevidade como conceito de beleza não é nova. O que é novo é a seriedade com que a ciência a está a abordar – e a velocidade a que essa investigação está a produzir aplicações concretas. A Clarins não é a única marca a investir neste território; a Lancôme criou em março de 2026 o seu primeiro advisory board dedicado exclusivamente à longevidade. Mas a marca tem uma vantagem que poucos conseguem reivindicar: trinta anos de investigação acumulada, uma estrutura familiar que lhe confere autonomia de decisão, e uma cultura científica que antecedeu a moda.
“A longevidade ultrapassou a mera definição de beleza”, afirma o Dr. Olivier Courtin-Clarins. “Preocupamo-nos menos em tratar os sinais exteriores do envelhecimento e centramos a nossa investigação em atrasar ou mesmo reverter comportamentos relacionados com a idade na pele.” Esta distinção – entre corrigir e prevenir, entre mascarar e intervir – é o que o Longevity Research Center coloca no centro da sua missão.
Em 2008, quando a Clarins lançou o Younger Longer Balm com foco na microcirculação e nas terminações nervosas da pele, estava já a pensar o envelhecimento de forma sistémica. Hoje, com um Centro de investigação dedicado, com programas de doutoramento em longevidade e com uma carteira de produtos mapeada sobre oito biomarcadores científicos, essa visão ganhou uma ambição que vai muito além do mercado cosmético.
O envelhecimento continua a ser inevitável. Mas a forma como a pele – e o corpo – atravessam esse processo é, em boa parte, influenciável. E é nessa influência que a Clarins está a investir, com a convicção tranquila de quem leva décadas a construir a mesma ideia, uma patente de cada vez.







