Inspirada pela arquitetura e pela luz das cidades, a nova coleção Ice Cube da Chopard reinterpreta a geometria em jóias de ouro ético que parecem esculturas portáteis.
Na arquitetura de uma cidade, a luz desenha volumes, projeta sombras e cria movimento. É esse mesmo jogo de reflexão e geometria que a Chopard transporta para o corpo humano com a mais recente evolução da sua coleção Ice Cube, inaugurada em 1999 e agora reinventada no atelier de Alta Joalharia. São peças que se aproximam da escultura moderna: cubos espelhados, ritmados por diamantes, que evocam arranha-céus ao amanhecer e traduzem em ouro ético a energia da vida urbana.
Desde o seu lançamento, há mais de duas décadas, a Ice Cube Collection distinguiu-se pela clareza geométrica e pela pureza formal. Um cubo apenas, repetido em séries infinitas, tornou-se a assinatura de uma joalharia minimalista mas carregada de expressão. Agora, a Chopard eleva esse motivo a novas dimensões, introduzindo volume, modularidade e movimento. “Sempre vi o Ice Cube como uma metáfora de precisão e pureza”, explica Caroline Scheufele, co-presidente e diretora artística da maison. “Mas quisemos levar essa linguagem mais longe – para a escala da arquitetura, para a surpresa da arte contemporânea, sem perder a sua portabilidade diária.”
Esculturas que se transformam
No centro desta reinvenção está um colar modular, peça única em nove filas de cubos articulados, que alternam entre o ouro branco e o ouro rosa de origem ética. A sua força está na transformação: três filas podem ser removidas de cada vez, adaptando o desenho ao momento. Tal como os anéis e bangles empilháveis da coleção original, mas agora em escala maior, o colar oferece fluidez, presença e uma imponência quase escultórica. Os cubos não são todos iguais: alguns ostentam o brilho perfeito do polido em espelho, outros estão cravados de diamantes, numa cadência rítmica que sugere movimento contínuo.
Essa mesma dinâmica estende-se às pulseiras e ao alfinete multifuncional, peças que ecoam o perfil de um skyline. Os diferentes tamanhos e alturas dos cubos lembram torres de vidro a refletir o sol da manhã, criando um efeito cintilante que exige rara mestria técnica. Polir superfícies assimétricas é um savoir-faire que poucos dominam, e que a Chopard conserva nos seus próprios ateliers. As pulseiras, disponíveis em versões de três ou seis filas, em ouro rosa ou branco e com pavé parcial ou total de diamantes, equilibram energia arquitetónica e usabilidade diária. O alfinete, por sua vez, transcende géneros: pensado para ser usado em lapelas, golas, gravatas ou até nos cabelos, assume-se como peça de liberdade criativa.
O diálogo entre geometria e luz ganha nova expressão em duas criações que recuperam um corte lendário: o Asscher, ícone Art Déco. Num anel de desenho gráfico, um diamante de três quilates é colocado na diagonal, atravessando duas bandas paralelas de ouro branco ético cravejadas de brilhantes. A disposição oblíqua do octógono central reforça a ideia de deslocamento e modernidade. Já os brincos apresentam solitários Asscher de 1,2 quilates, acompanhados por uma cascata de cubos com diamantes que pode ser removida em parte ou na totalidade. O resultado é um jogo de estilos: assimetria ousada ou pureza minimalista, consoante a vontade de quem os usa.
Luz que reflete valores
Em 2024, a Chopard havia já inaugurado um primeiro capítulo de Alta Joalharia para a Ice Cube. Agora, com esta nova cápsula, a narrativa evolui para um verdadeiro ensaio sobre arquitetura, reflexão e autoexpressão. A campanha Sculpted by Light, protagonizada por Bella Hadid e fotografada por Charlotte Wales, encena a modelo contra um cenário urbano onírico, onde arranha-céus se confundem com esculturas de luz. “Sempre admirei o trabalho da Chopard, não só pela beleza mas também pela forma como nos faz sentir confiantes”, comenta Bella Hadid. “Estas jóias são empoderadoras, modernas e cheias de presença.”
O brilho, porém, não é apenas estético. Todas as peças são produzidas em ouro ético de 18 quilates, reafirmando a aposta da maison no luxo sustentável. Desde 2018 que a totalidade dos relógios e jóias Chopard utiliza apenas metais preciosos de origem responsável, parte do projeto Journey to Sustainable Luxury. Essa coerência dá à coleção Ice Cube uma camada adicional de significado: não só reflete o mundo exterior, mas também uma consciência interior sobre a forma como esse mundo deve ser preservado.
No fundo, trata-se de uma coleção que cruza linguagens. É joalharia, mas também é design. É ornamento, mas também é arquitetura. Os cubos da Chopard não derretem: refratam, cintilam e transformam-se. São fragmentos de cidade que se transportam no corpo, esculturas miniaturizadas que nos lembram que a luz – quando bem lapidada – pode ser o mais precioso dos materiais.






















