A Louis Vuitton celebra dez anos de parceria com a UNICEF com um relógio em forma de bola de futebol, um livro com cem personalidades e 28 milhões de dólares doados a crianças em todo o mundo.
Pedro Almodóvar segurou-a. Zlatan Ibrahimovic também. Céline Dion, Nigo, e mais de cem pessoas que raramente aparecem na mesma frase aceitaram posar com uma bola de futebol revestida com a tela Monograma da Louis Vuitton – e a fotografia resultante entrou num livro cujos lucros revertem na totalidade para a UNICEF. Chama-se Rebonds, ressalto em francês, e a metáfora não podia ser mais precisa: o dinheiro toca no chão e volta para cima, desta vez na direção de crianças que de outra forma não teriam a quem recorrer.
Esta é a forma como a Louis Vuitton escolheu assinalar dez anos de parceria com a UNICEF – com objetos que existem, com pessoas que aparecem, com gestos que se repetem desde 12 de janeiro de 2016, data em que tudo começou num evento em Los Angeles. Nesse dia, a maison comprometeu-se a um mínimo de dois milhões de euros anuais para programas de proteção, saúde e educação de crianças vulneráveis em todo o mundo. Uma década depois, as contas apontam para 28 milhões de dólares doados – e a contagem não parou.
O italiano que faz contas ao mundo
Pietro Beccari não é o tipo de executivo que aparece nas capas das revistas de moda com declarações sobre responsabilidade social. É italiano, formado em Parma, com uma carreira construída em marketing de grande consumo antes de entrar no universo LVMH em 2006 como diretor de marketing e comunicação da Louis Vuitton. Passou pela Fendi, pela Christian Dior Couture, e chegou à presidência da Louis Vuitton em fevereiro de 2023 – cargo a que se juntou, em janeiro deste ano, a liderança do LVMH Fashion Group, tornando-se o executivo de moda mais poderoso da maior casa de luxo do mundo.
Com esse currículo, seria fácil gerir a parceria com a UNICEF como mais um item no calendário de responsabilidade corporativa. Beccari fez diferente. A frase com que abre o prefácio do novo Rebonds diz o essencial sobre a forma como aborda o projeto: “Vinte e oito anos após a primeira publicação, durante o Mundial de 1998, este livro celebra agora dez anos de parceria entre a Louis Vuitton e a UNICEF. Mais de cem personalidades, amigos da maison das mais diversas origens, aceitaram participar posando com uma bola Louis Vuitton. Captados em movimento ou na quietude de um momento suspenso, cada retrato revela uma energia única, mas todos partilham a mesma força: a da ligação.” Esta é a voz de alguém que percebe que o luxo só tem futuro se tiver propósito – e que o propósito só tem impacto se tiver forma.
A forma, neste caso, é a Silver Lockit. Uma coleção de pulseiras, pendentes e brincos em prata, sem género, com design limpo, que existe de forma permanente na oferta da maison desde 2016. Cada pulseira de cordão gera uma doação de cem dólares à UNICEF; cada pulseira de corrente ou pendente, duzentos. Para 2026, a coleção ganhou três novos modelos de edição limitada: um com cordão vermelho, outro azul, e uma versão a preto e branco com um charm em forma de bola de futebol que responde visualmente ao Rebonds e ao Unity Time Object. Disponíveis desde 24 de abril nas lojas selecionadas e em louisvuitton.com, as peças continuam a fazer aquilo que fazem há dez anos: transformar uma simples compra num gesto de responsabilidade.
Felix, Zlatan e a bola que volta sempre
O Rebonds original nasceu em 1998, no ano em que a França organizou o Campeonato do Mundo. Nessa edição, os lucros foram doados à UNICEF e o livro ficou como documento de um momento em que o desporto e a solidariedade se encontraram à volta de um objeto simples. Vinte e oito anos depois, a Louis Vuitton quis ressuscitar essa ideia com mais profundidade, mais geografia e uma distribuição de protagonistas que diz muito sobre o lugar que a maison ocupa na cultura contemporânea.
Zlatan Ibrahimovic e Pedro Almodóvar na mesma página. Céline Dion e Nigo no mesmo livro. Embaixadores da casa como Felix – o sul-coreano de vinte e cinco anos que é membro dos Stray Kids, embaixador global da Louis Vuitton desde 2023 e embaixador de boa vontade da UNICEF na Coreia desde 2024 – partilham espaço com personalidades do cinema, da arte, do desporto e da moda fotografados em Paris, Tóquio, Pequim, Los Angeles, Brooklyn, Xangai, Londres e Avignon. Cada retrato está ancorado no lugar de origem de quem aparece nele; cada cidade é também um contexto, uma textura, uma história que corre por baixo da imagem.
Felix escreveu o outro prefácio do livro – e aqui a Louis Vuitton fez uma escolha editorial interessante. Dois prefácios, dois ângulos, duas gerações: Beccari fala da força da ligação entre pessoas; Felix fala de responsabilidade coletiva. “Cada criança merece uma oportunidade justa na vida, e é nossa responsabilidade coletiva garantir o acesso ao apoio essencial para os mais vulneráveis.” Não é a linguagem habitual de um embaixador de marca. É a voz de alguém que, ao participar na edição do Silver Lockit de 2025, ajudou a angariar quatro milhões de dólares para a UNICEF com a sua comunidade de fãs – e que percebeu que o alcance pode servir algo maior do que o alcance em si mesmo.
O Rebonds estará disponível a partir de junho em todas as lojas Louis Vuitton, a 185 dólares. Edições assinadas por celebridades entram nos lotes do leilão da Sotheby’s, a partir de 9 de junho. Todos os lucros vão para a UNICEF, sem exceções.
O relojoeiro e a bola de ouro
Matthieu Hegi é diretor artístico da La Fabrique du Temps Louis Vuitton – o atelier que reúne o savoir-faire relojoeiro da maison – e é o homem que decidiu que a peça de celebração do décimo aniversário da parceria com a UNICEF devia ser uma bola de futebol esqueletizada com diamantes e um movimento mecânico suíço lá dentro. Não é uma ideia que se explica em meia dúzia de palavras. É uma ideia que só faz sentido quando se vê o objeto.
O Louis Vuitton Unity Time Object parte da forma geométrica de uma bola de futebol – hexágonos e pentágonos interligados – e executa-a em aço dourado, com estrutura aberta que deixa ver o movimento mecânico desenvolvido pela L’Epée 1839, manufatura suíça fundada em 1839. Os cantos, tachas e suportes dourados que unem os painéis são os mesmos elementos protetores das malas Louis Vuitton desde os anos 1860 – o ADN da maison transcodificado em geometria relojoeira.
As horas surgem num disco rotativo decorado com o motivo Monograma e flores; os minutos noutro. O topo do cilindro traz a assinatura “Louis Vuitton Paris” gravada. Os “ponteiros” são 264 diamantes: 144 brancos para as horas, 120 negros para os minutos, num total de 1,03 quilates.
Hegi explicou assim a escolha: “Escolhemos uma bola de futebol – um tema que a maison explora há muito. Quisemos criar uma peça de arte que integra referências subtis ao ADN e aos códigos da Louis Vuitton, fundindo o nosso legado com uma visão contemporânea do tempo.”
O que não disse, mas está implícito em cada detalhe da peça, é que isto só é possível quando uma marca tem 170 anos de ofício acumulado para gastar numa peça única que ninguém vai usar no pulso – e que tem como único destino útil desaparecer para financiar o trabalho da UNICEF.
O Unity Time Object é uma peça única, fabricada à mão nas oficinas históricas de Asnières, nos arredores de Paris, onde a casa francesa produz as suas encomendas mais raras. É apresentado numa mala-troféu em tela Monograma com os mesmos fechos de latão das malas do século XIX. Está atualmente em digressão internacional – Paris, Londres, Dubai, Hong Kong, Singapura – antes de culminar num jantar de celebração na sede da Sotheby’s em Nova Iorque.
O leilão decorre entre 9 e 18 de junho, em venda online internacional aberta a qualquer colecionador do mundo. O valor de martelo vai na totalidade para a UNICEF. A exposição pública é gratuita em Nova Iorque, de 11 a 18 de junho.
Brahm Wachter, responsável por Colecionáveis Modernos na Sotheby’s, resumiu o que torna este lote diferente: “Os relógios e o desporto têm em comum comunidades de colecionadores muito envolvidos, e ficámos entusiasmados por reunir estes dois mundos nesta venda. É ainda mais gratificante colaborar numa iniciativa que apoia o trabalho vital da UNICEF com crianças em todo o mundo.”
A partir de 2026, a parceria expande-se para incluir o programa POWER4Girls, iniciativa global da UNICEF dedicada a raparigas e mulheres jovens entre os dez e os vinte e cinco anos, ativa em 120 países na América do Sul, África e Ásia. O programa atua em inclusão profissional, independência económica, combate à violência baseada no género e apoio a organizações lideradas por raparigas.
Chegou já a 5,4 milhões de raparigas e a mais de onze milhões de pessoas em quinze países. Com o apoio da Louis Vuitton, o objetivo passa a ser alcançar mais de cem mil raparigas por ano – e algumas delas, daqui a dez anos, talvez não saibam que uma bola dourada leiloada em Nova Iorque teve algo a ver com o caminho que conseguiram percorrer.
Esse é, no fundo, o tipo de impacto que não aparece nas notas de imprensa.





















